Tutorial por órgãoPublicado em 10 de maio de 20265 min de leitura

Consulta e Procedimento Preparatório no CADE: protocolo e instrução inicial

Guia prático para protocolar consulta sobre interpretação da Lei de Defesa da Concorrência ou subsidiar a averiguação preliminar de condutas anticompetitivas no CADE.

Consulta e Procedimento Preparatório no CADE: protocolo e instrução inicial

Cenário e quem precisa fazer isso

Duas situações distintas chegam à Superintendência-Geral do CADE antes da instauração formal de um inquérito administrativo. A primeira é a Consulta, instrumento pelo qual interessados submetem dúvidas sobre a interpretação da Lei nº 12.529/2011 a hipóteses concretas, sem fato consumado. A segunda é o Procedimento Preparatório de Inquérito Administrativo, etapa de averiguação inicial em que a autarquia avalia se indícios trazidos por denúncia ou representação justificam aprofundamento investigativo.

Este tutorial é voltado a advogados concorrenciais, departamentos jurídicos, associações setoriais e consultores que precisem protocolar uma consulta junto ao Tribunal Administrativo ou que tenham sido notificados, na condição de representado ou representante, em Procedimento Preparatório autuado pela Superintendência-Geral (SG).


Documentos necessários

Para Consulta ao Tribunal (art. 9º, §4º, da Lei nº 12.529/2011, e Resolução CADE nº 12/2015):

  • Petição inicial fundamentada, com exposição do tema, da dúvida concreta e do interesse da consulente.
  • Comprovante de recolhimento da taxa processual, conforme valores fixados em portaria do CADE vigente na data do protocolo.
  • Procuração com poderes específicos e atos constitutivos da pessoa jurídica consulente.
  • Documentos que demonstrem a hipótese fática a ser interpretada (contratos preliminares, minutas, estudos de mercado, quando houver).
  • Indicação expressa de eventual pedido de tratamento confidencial, com justificativa documento a documento.

Para atuação em Procedimento Preparatório (art. 66, §2º, da Lei nº 12.529/2011):

  • Procuração e substabelecimentos atualizados.
  • Documentos societários e organograma do grupo econômico, quando requisitados via ofício.
  • Resposta fundamentada ao ofício de requisição de informações da SG, dentro do prazo concedido.
  • Mídias, planilhas, e-mails e demais elementos probatórios indexados, com sumário e tradução juramentada se em idioma estrangeiro.
  • Pedido de acesso aos autos, quando cabível, e requerimento de confidencialidade para documentos sensíveis.

Passo a passo

1. Identifique corretamente o instrumento aplicável

Antes de protocolar qualquer peça, avalie se o caso comporta Consulta ou se já se trata de averiguação de conduta. A Consulta pressupõe ato ou negócio jurídico ainda não consumado e dúvida sobre a interpretação da legislação concorrencial. Se há denúncia de cartel, abuso de posição dominante ou outra conduta tipificada no art. 36 da Lei nº 12.529/2011, o caminho é a Representação, que pode ensejar a abertura de Procedimento Preparatório pela SG. Confundir os instrumentos resulta em indeferimento liminar.

2. Acesse o sistema eletrônico do órgão

O protocolo é integralmente eletrônico, pelo SEI-CADE. Cadastre-se previamente como usuário externo no portal da autarquia, anexando documento de identidade e termo de concordância assinado. A liberação do cadastro não é imediata e costuma exigir confirmação por servidor da unidade de protocolo. Reserve esse passo com antecedência mínima de cinco dias úteis em relação ao prazo final.

3. Elabore a petição inicial

Na Consulta, a peça deve delimitar com precisão a dúvida interpretativa, indicar dispositivos legais e regulamentares aplicáveis, expor a situação fática hipotética e formular pedido objetivo. Evite consultas genéricas ou de natureza acadêmica: a Resolução CADE nº 12/2015 autoriza o não conhecimento quando ausente interesse direto e específico do consulente.

No Procedimento Preparatório, ao responder ofício da SG, organize a manifestação em tópicos espelhando os quesitos formulados. Anexe cada documento como item autônomo no SEI, nomeando-o de forma legível.

4. Recolha a taxa processual quando aplicável

A Consulta está sujeita ao recolhimento de taxa processual, instituída pelo art. 23 da Lei nº 12.529/2011, com valor atualizado por portaria do CADE. Gere a Guia de Recolhimento da União (GRU) no portal da autarquia, recolha em rede bancária autorizada e anexe o comprovante à petição inicial. O Procedimento Preparatório, por ser instaurado de ofício ou por representação, não exige taxa do representado.

5. Protocole e indique a confidencialidade

No SEI, selecione o tipo processual correspondente ("Consulta" ou, se for o caso, "Representação") e insira os documentos. Para cada arquivo, marque o nível de acesso: público, restrito ou sigiloso. Informações comerciais sensíveis, segredos de negócio e dados pessoais devem vir acompanhados de pedido fundamentado de acesso restrito, com indicação dos artigos da Lei nº 12.529/2011 e do Regimento Interno do CADE que autorizam a medida.

6. Acompanhe a distribuição e os despachos

A Consulta é distribuída por sorteio entre os Conselheiros do Tribunal Administrativo. O Procedimento Preparatório tramita perante a Superintendência-Geral. Em ambos os casos, monitore diariamente o número do processo, pois despachos de requisição de informações têm prazo curto, geralmente de dez dias, prorrogáveis mediante pedido fundamentado.

7. Atenda às requisições da Superintendência-Geral

No Procedimento Preparatório, a SG pode requisitar documentos, designar diligências e ouvir testemunhas (art. 13, V, da Lei nº 12.529/2011). O descumprimento injustificado sujeita o requerido às multas previstas nos arts. 39 a 41 da mesma lei. Sempre que o prazo for exíguo, peça prorrogação por escrito antes de seu término, justificando a necessidade.

8. Aguarde a decisão de encerramento ou conversão

Ao final do Procedimento Preparatório, a Superintendência-Geral decide entre arquivar, por ausência de indícios, ou instaurar Inquérito Administrativo ou diretamente Processo Administrativo. Na Consulta, o Tribunal profere decisão com efeito vinculante para o consulente e orientativo para o mercado, conforme art. 9º, §4º, da Lei nº 12.529/2011.


Prazos típicos

EtapaPrazo de referência
Resposta a ofício de requisição da SG10 dias, prorrogáveis
Conclusão do Procedimento Preparatórioaté 30 dias, conforme art. 66, §2º, da Lei nº 12.529/2011
Manifestação em Consulta após relatoriaconforme despacho do Conselheiro-Relator
Pedido de prorrogação de prazoaté o término do prazo original
Recurso contra decisão de não conhecimento de Consultaconforme Regimento Interno do CADE

Os prazos contam-se em dias corridos, salvo disposição em contrário no Regimento Interno, e iniciam-se no primeiro dia útil seguinte à ciência do ato.


Erros comuns a evitar

  • Formular consulta sobre fato consumado. O instrumento não substitui defesa em processo sancionador nem legitima conduta já praticada. Nessas hipóteses, o pedido tende a não ser conhecido.
  • Pedir confidencialidade genérica. O CADE exige justificativa documento a documento. Pedidos amplos e não fundamentados são indeferidos, expondo informações sensíveis.
  • Subestimar o prazo de cadastro no SEI externo. A liberação depende de validação manual; deixar para o último dia compromete o protocolo tempestivo.
  • Responder ofícios da SG de forma evasiva. Respostas incompletas configuram embaraço à investigação e podem agravar a situação do representado, com aplicação das multas dos arts. 39 a 41 da Lei nº 12.529/2011.
  • Ignorar o recolhimento ou recolher GRU com código errado. A taxa processual da Consulta possui código específico; recolhimento equivocado equivale a ausência de pagamento.

Como acompanhar com o MonitoraSEI

O acompanhamento tempestivo de Consultas e Procedimentos Preparatórios é decisivo, sobretudo porque despachos de requisição podem abrir prazos curtos sem aviso prévio ao patrono. Para automatizar o monitoramento dos processos no SEI do CADE e receber notificações de movimentações, consulte a página do órgão em /orgaos/cade e a relação completa em /orgaos.

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